quinta-feira, 4 de julho de 2013

Enfrentamentos, problemáticas e experiências em relação à inserção e uso das tecnologias da informação e comunicação no universo escolar


ALMEIDA, M. E. B. Gestão de tecnologias na escola. Série "Tecnologia e Educação: Novos tempos, outros rumos" - Programa Salto para o Futuro, 2002.

Descrição da obra
O texto foi produzido para o curso Gestão Escolar e Tecnologias – Formação de gestores escolares para o uso de tecnologias da Informação e Comunicação, realizado em São Paulo.
Trata sobre os diversos enfrentamentos, aponta alguns problemas relacionados à questão da inserção das TIC no universo escolar, além de trazer relatos de experiências e cursos de capacitação que tem como intuito propor soluções para esses problemas.

Resumo
O texto traz como introdução um breve apanhado histórico de como as TIC foram paulatinamente introduzidas na escola: primeiro informatizando as atividades administrativas, depois no ensino e aprendizagem, mas apenas como projetos de aulas de informática, e finalmente como ferramenta de expansão da comunicação e participação.
Logo após, a autora expõe argumentos relacionados à importância das TIC como propagadoras de comunidades colaborativas que auxiliam na criação de redes de conhecimentos específicas de cada comunidade. Segundo ela, o fator primordial para a criação dessas redes seria a qualidade da interação, que só seria alcançada com uma boa formação continuada, baseada na articulação da realidade da escola com o domínio das tecnologias e a prática pedagógica.
A autora ainda aponta outros fatores que dificultam o uso das TIC na escola, como condições físicas, materiais e técnicas inadequadas, e a resistência de alguns gestores ainda pouco familiarizados com a questão tecnológica. Ela afirma que a cultura escolar, ainda predominante, de separação entre o pedagógico e o administrativo dificulta o desenvolvimento da gestão escolar participativa, que utiliza as potencialidades das TIC para o desenvolvimento humano.
Posteriormente o texto nos traz a informação de que nas situações em que os gestores e a comunidade escolar se envolvem como realizadores de atividades, a incorporação das TIC vem tendo maior sucesso, pois isso faz com que as atividades não fiquem restritas apenas às práticas de sala de aula. O uso de ambientes virtuais para a formação de comunidades colaborativas facilita a discussão de problemáticas e enfrentamentos dessas, pois permite encontrar alternativas das próprias discussões e ideias surgidas.
Finalmente o texto nos informa que o Ministério da Educação, através do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) vem desenvolvendo cursos de formação com a intenção de superar essas dificuldades apresentadas na inserção das TIC nas escolas. Essas formações têm como foco todos os agentes escolares, especialmente diretores e coordenadores, que fariam um trabalho de multiplicadores de conhecimento.

 Citações principais do texto:
“Tais atividades levaram à compreensão de que o uso das tecnologias de informação e comunicação - TIC na escola, principalmente com o acesso à Internet, contribui para expandir o acesso à informação atualizada e, principalmente, para promover a criação de comunidades colaborativas que privilegiam a comunicação; permitem estabelecer novas relações com o saber que ultrapassam os limites dos materiais instrucionais tradicionais e rompem com os muros da escola, articulando-os com outros espaços produtores do conhecimento, o que poderá resultar em mudanças substanciais em seu interior. Criam-se possibilidades de redimensionar o espaço escolar, tornando-o aberto e flexível, propiciando a gestão participativa, o ensino e a aprendizagem em um processo colaborativo (...)” (P.1)

“Há que se empregar nas ações de hoje todos os recursos disponíveis, inclusive as TIC, tendo em vista a criação de comunidades colaborativas, que propiciem a criação de suas próprias redes de conhecimentos, cuja trama ajuda a construir uma sociedade solidária e mais humanitária. O fator primordial para a criação de comunidades e culturas colaborativas de aprendizagem, intercâmbio e colaboração é a qualidade da interação, quer presencial ou a distância, cuja criação poderá viabilizar-se a partir da formação continuada e em serviço do educador”. (P.2)

“Várias atividades de formação de educadores para o uso pedagógico das TIC têm se desenvolvido na modalidade de formação em serviço contextualizada na realidade da escola e na prática pedagógica do professor, o que constitui um avanço. Mesmo assim, outras dificuldades se fazem presentes, as quais se relacionam tanto com a ausência de condições físicas, materiais e técnicas adequadas, quanto com a postura dos dirigentes escolares, pouco familiarizados com a questão tecnológica. Isto dificulta a sua compreensão a respeito da potencialidade das TIC para a melhoria de qualidade do processo de ensino e de aprendizagem, bem como para a gestão escolar participativa, articulando as dimensões técnico-administrativa e pedagógica, com vistas à finalidade maior da educação: o desenvolvimento humano”. (P.3/4)

“A incorporação das TIC na escola vem se concretizando com maior freqüência nas situações em que diretores e comunidade escolar se envolvem nas atividades como sujeitos do trabalho em realização, uma vez que o sucesso desta incorporação está diretamente relacionado com a mobilização de todo o pessoal escolar(...)”. (P.4)

“Desta forma, a incorporação das TIC na escola e na prática pedagógica não mais se limita à formação dos professores, mas se volta também para a preparação de dirigentes escolares e seus colaboradores, propiciando-lhes o domínio das TIC para que possam auxiliar na gestão escolar e, simultaneamente, provocar a tomada de consciência sobre as contribuições dessa tecnologia ao processo de ensino e aprendizagem. Cria-se, assim, um ambiente de formação para que o diretor escolar possa analisar e reconstruir o seu papel frente às responsabilidades que lhe cabem como liderança da instituição e como gestor do projeto político-pedagógico da escola, bem como pela criação de uma nova cultura da escola, que incorpore as TIC às suas práticas”. (P.5)

“O uso das TIC na gestão escolar permite: registrar e atualizar instantaneamente a sua documentação; criar um sistema de acompanhamento e participação da comunidade interna e externa à escola por meio de ambientes virtuais; definir metodologias de avaliação adequadas e compatíveis com critérios democráticos e participativos; trocar informações e experiências com a comunidade, identificando talentos e potencialidades que possam contribuir com a evolução conjunta de problemáticas tanto da escola como da comunidade; discutir e tomar decisões compartilhadas”. (P.7)

Comentário
Após a leitura do texto, pude constatar que a autora foi bastante didática e objetiva ao tratar sobre a problemática da inserção das TIC no ambiente escolar. Achei muito interessante a valorização que foi dada à questão da participação da comunidade nos ambientes de interação, pois vem de encontro com a minha visão de que a maior parte dos problemas enfrentados hoje pelos gestores escolares poderia ser facilmente resolvida se houvesse um diálogo maior entre comunidade e escola.
Também foi importante a informação de que estão sendo tomadas medidas para a formação continuada apropriada dos agentes escolares, especialmente dos gestores. Superar a ideia de fragmentação da escola em pedagógico, administrativo e técnico é importante para o sucesso da inserção das TIC na escola. Isso porque a escola é um todo em funcionamento e as partes se complementam, o que faz com que um possa auxiliar o outro em suas dificuldades.


O uso das tecnologias pelos gestores e coordenadores escolares

VIEIRA, A. T. Funções e papéis da tecnologia.  São Paulo, PUC-SP, 2004

Descrição da obra
O texto foi produzido par ao curso Gestão Escolar e Tecnologias – Formação de gestores escolares para o uso de tecnologias da Informação e Comunicação, realizado em São Paulo.
Trata sobre os diversos enfrentamentos e problemas encontrados quando se analisa o uso e implementação da tecnologia no ambiente escolar.

Resumo
A grande questão tratada no texto é a de saber como a tecnologia pode ser utilizada como aliada pela direção e coordenação escolar. O autor trata desse problema fazendo inicialmente uma reflexão sobre a distinção e o paralelo existente entre dados, informação e conhecimento.
Ele mostra que os dados isolados são apenas fatos distintos, que precisam de alguma significação para se transformar em informação; esta, por sua vez, só se transforma em conhecimento através da análise humana, que à ela incorpora experiências, valores, contextos, etc.
No ambiente escolar ainda existe a possibilidade de se transferir conhecimento aplicado, ou seja, através da análise das rotinas da escola. O autor nos ensina que um ambiente onde o conhecimento seja acessado facilmente é o ideal para se implementar tecnologias.
Posteriormente ele analisa alguns pontos importantes na implantação de um projeto de tecnologia, entre esses pontos destaca-se a necessidade de uma cultura organizacional baseada na cooperação e troca, pois isso facilita a troca de informações, base de todo o conhecimento.
Finalmente o autor nos diz que uma implementação eficaz de novas tecnologias nas organizações depende de alguns elementos-chaves e destaca três fases relevantes: Criação e contexto para TI, desenho de um sistema de TI e Instalação e uso do sistema de TI. Essas três fases dependem, cada uma em sua fase de implementação, do alinhamento com os objetivos da organização, comprometimento e domínio da direção, lideranças e usuários.

Citações principais do texto:
“Mas o grande problema em foco da gestão escolar é saber como a tecnologia pode ser um grande aliado da equipe de direção e coordenação da escola”. (p. 1).

“Enfim, conhecimentos derivam de informações, da mesma maneira que  informações, derivam de dados. A capacidade de transformar informação em  conhecimento não pode ser realizada por uma máquina, sem a interferência da  mente humana, isto é, tal capacidade é exclusivamente humana”. (p.4)

“Então, se pretendemos ter um ambiente com tecnologia em que o conhecimento possa fluir constantemente, temos que criar condições para que um determinado conhecimento possa ser acessado, seja por meio de relações diretas (presenciais ou virtuais) entre pessoas que os detêm — simplesmente porque trabalham juntas, no mesmo ambiente, ou a partir de reflexões que realizam a respeito de rotinas e procedimentos já estruturados em uma instituição escolar”. (p.5)

“A criação de ambientes informatizados na organização para apoio à gestão do conhecimento deverá considerar os processos pelos quais são feitas as trocas de informação e a cultura de colaboração existente. Organizações internamente muito competitivas ou que apresentem um elevado grau de isolamento entre os funcionários, terão mais dificuldade de criar um ambiente de troca. A prática de trabalho dos professores, geralmente isolada nas salas de aula, dificulta sobremaneira a criação de uma cultura de colaboração. Por isso, há necessidade do gestor planejar a existência de momentos de troca de experiências entre professores e funcionários. A implementação de um sistema de organização e disseminação de informações na escola torna-se bem mais fácil quando a cooperação já faz parte da cultura escolar”. (p.6)

“Além do problema da cultura organizacional existente e dos objetivos sobre a gestão das tecnologias de informação (TI) de uma escola, é importante que se tenha uma visão mais estruturada sobre os ingredientes-chave para implementação eficaz de sistemas nas escolas. A tabela abaixo mostra alguns dos principais pontos, os quais estão divididos em três fases muito relevantes:
1) criação do contexto para a TI;
2) desenho de sistemas de TI;
3) instalação do sistema de TI que vai ser utilizado”. (p. 7)

“(...) Quando um sistema é implementado em culturas organizacionais previamente estabelecidas, a forma pela qual as informações são organizadas e produzidas interage com a cultura já existente, criando situações que resultam em sintonia e reforço ou em dissonância e oposição. (...)”. (p.8)

Comentário
Tendo como base o exposto pelo autor, outros conhecimentos e experiências já vivenciadas, noto a clara dificuldade em se concretizar um projeto de inserção de tecnologias nas escolas, sem antes mudar ou ao menos conhecer a cultura organizacional da instituição.
Talvez esse seja o maior desafio para a implantação de um projeto dessa natureza. Obviamente que esse problema é evidenciado com mais clareza na implantação dos projetos e não em sua elaboração.
Porém, como ficou muito bem colocado pelo autor, um projeto eficiente deve ser elaborado num contexto de TI, ou seja, primeiramente é necessário que essa cultura organizacional seja trabalhada, que as pessoas já consigam fazer uma troca eficiente de informações, livre de obstáculos que impeçam a aquisição do conhecimento.
O que me pareceu um pouco superficial no texto foi justamente o ponto de como se pode trabalhar esse obstáculo da organização; talvez seja porque esse ponto seria melhor aprofundado num texto específico, que trate somente de gestão de pessoas e cultura organizacional.

*Atividade da disciplina Oficinas Tecnológicas - Fichamento do Texto 2

Sejam bem vindos!

Olá!
Este espaço foi criado como uma ferramenta de publicações diversas, discussões e atividades específicas da disciplina Oficinas Tecnológicas, do curso Especialização em Gestão Escolar, que estejam relacionadas à utilização de tecnologias de informação e comunicação nas escolas. 
Espero que todos que o acessem possam de alguma forma tirar proveito de seu conteúdo!
Sejam bem vindos ao universo da escola inserida no WWW!